ANÁLISE POLÍTICA DAS ELEIÇÕES E DECLARAÇÃO DE VOTO

Palestra-PR-29-set-2011

link encolhido: bit.ly/VOTO2015

1. Nosso contexto atual é de ataques de todos os lados tentando acabar com o cargo (autoridade e atribuições). Nossa maior deficiência sindical é a falta de ouvir as Bases, falta de Democracia real, falta de espírito Republicano, que faz com que percamos muita energia e recursos com disputas internas.

2. Entendo que estes princípios são deixados de lado quando se cultiva a “cultura de grupos“, e especialmente quando se limita atividades a quem “é do grupo”, seja por não manter o Sindicato um ambiente acolhedor a colegas e a diferentes opiniões, seja por não aceitar regras Democráticas (todas as vozes devem ser bem vindas) e Republicanas (o sindicato deve ser de todos), em especial não disseminando amplamente as informações (filtro do que deve e do que não deve ser publicado entre os pares) e traçando “perfis” de quem pode participar.

3. Infelizmente, tenho visto em minha base local colegas sem histórico de direção sindical praticando os mesmos vícios antigos tão criticados nas ditas “chapas antigas”. Aqui em Campinas, temos vários exemplos de casos de falta de democracia e transparência no grupo de trabalho parlamentar, do qual participo ativamente desde o princípio. Sempre houve o uso intensivo do Whatsapp (rede social), o que poderia ser usado para uma maior abertura democrática, e mesmo assim aconteceram encontros com parlamentares que não foram divulgados a todos os colegas, ou seja, faltou transparência. E rotineiramente deliberações são tomadas com poucos participantes ao invés de se abrir a todos os colegas da base local, minando a democracia, alguns colegas ainda usando de termos como “falta de perfil” ou maledicências de colegas para formatar “o grupo”. Há também os que não desejam e atacam qualquer iniciativa séria de promover registros, de se regulamentar a atividade minimamente definindo responsabilidades pelas atividades e meios legítimos de deliberação, instrumentos por meio dos quais aumenta-se exponencialmente a auditabilidade das ações, pela Base, frente aos princípios Democrático e Republicano. A “culpa” não é da rede social, pois a rede social não opera a si mesma. Sempre que falamos em redes sociais precisamos lembrar que são as pessoas por trás dela que decidem, praticam atos, fazem a mudança. E são estas pessoas que podem preservar ou desrespeitar os princípios Democrático e o Republicano. Em um ambiente sindical novíssimo, composto por pessoas sem histórico de diretoria sindical, vejo a mesma centralização das deliberações e a falta de um ambiente acolhedor e participativo a colegas com ideias próprias ser cultivado, e em desnecessária e constante abrasão com a diretoria sindical local. A prática apenas se revestiu da novidade das redes sociais, mas as escolhas políticas de “cultura de grupo” estão preservadas.

4. Isto evidencia, para mim, não vícios “de grupos antigos”, mas sim apego enraizado à cultura de grupos e falta de apego a princípios Democrático e Republicano. Ou seja, não basta mudar o “rótulo” (chapa X, Y), mas sim há que se abandonar hábitos, comportamentos, mudar o conteúdo!

5. O melhor exemplo positivo e consensual de bom uso de redes sociais em boa interação com instâncias sindicais foi o desenvolvimento da Minuta de RI, onde o desenvolvimento pelas bases foi viabilizado pelas redes sociais, e o resultado foi consolidado e tornado indicativo de Assembléia Nacional por meio da Plenária. Infelizmente o brilho da iniciativa foi ofuscado (ao invés de celebrado) pela forma como a centralizadora DEN publicou a matéria.

6. As redes sociais precisam somar forças com o respeito aos princípios Democrático e Republicano, pois estes é que dão estrutura e mediam as diferenças e acordos de vontade entre as diferentes opiniões dos colegas. Redes sociais sem respeito aos principíos Democrático (todos têm voz) e Republicano (o sindicato é de todos) continuamos com o mesmo vício deliberativo: concentração de poder na mão de poucos, mas que ao invés de dominarem o espaço sindical, passa a ser quem domina o espaço das redes sociais. Democratizar passa por abrir participação, necessariamente! Como representar bem e não “dirijir” sem cultivar a abertura sindical em todos os meios?

7. Assim, a escolha para a nova DEN em minha visão depende essencialmente de duas coisas: FIRMEZA para perseguir os princípios Democrático e Republicano, o que necessariamente passará por rever profundamente o estatuto do Sindicato de maneira aberta e participativa, como no caso da Minuta de RI. Em segundo lugar de uma visão Política de sindicato que compartilhe poder, descentralizando e promovendo a democracia direta o máximo possível com a participação do filiado da Base. Isto passará pelas redes sociais, mas estas por si não influenciam a visão de mundo e as ESCOLHAS POLÍTICAS dos diretores.

8. Neste contexto todo, considero a Chapa 1 completamente incapaz diante de seu histórico centralizador, mau ouvinte e moroso. Nada justifica dizer “todo mundo sabe o que precisa mudar no RI” mas nada ter sido feito em todos estes anos, para citar um singelo exemplo.

9. A escolha difícil fica entre as Chapas 2 e 3. Facilitaria muito a vida de vários colegas que tivéssemos uma chapa mista dentre a 2 e 3, e demonstratia de fato o interesse por acabar com os grupos. Se não há tal composição, e sou obrigado a escolher entre uma e outra, tomo o comportamento de “grupos” como um diferencial. Gostei muito da posição do Gelson no primeiro debate quando disse “temos de acabar com a cultura de grupos“. Concordo! Mas tenho visto em minha realidade os mesmos traços da cultura de grupo em apoiadores da Chapa 3 (falta de democracia, decisões não transparentes) e em elemento central de sua campanha: apontar a “briga fratricida entre chapas 1 e 2”. Oras, se o objetivo é agregar e dissolver a cultura de grupos, não vejo como fazê-lo reforçando que “nós somos diferentes deles”. O caminho ideal para acabar com a “cultura de grupos” é deixar tudo aberto, possibilitar a composição entre os diferentes “grupos”, agregar pessoas.

10. Escolho a Chapa 2 e destaco como qualidades a FIRMEZA na defesa de propostas agregadoras e essenciais como a defesa da PARIDADE (sei que não são todos que se beneficiam, eu não me beneficio, mas é uma parcela significativa dos colegas) e o combate ao FUNPRESP (que foi tido como uma bandeira perdida e eleitoreira, mas agora temos a notícia de que magistrados não devem se submeter e a ADPF obteve liminar para que seus filiados recolham pelo regime próprio normalmente). Sem FIRMEZA de propósito, não há como sair do cercadinho que os adversários do cargo traçam para nós. Ficamos RESIGNADOS a propostas rebaixadas e apenas aceitando argumentos quando outros cargos os aplicam (como a s PECs, após AGU emplacar na Câmara a 443; como MP, após os Delegados da Polícia Federal conseguirem; como o combate ao Funpresp, e por aí vai). Perdemos brilho próprio!!! E a Chapa 2 vem há anos assumindo posições e arcando com o ônus destas posições – ou seja, esta FIRMEZA tem histórico, é comprovada, não é de hoje. Quanto eu vi ser eles serem acusados de “salvem as baleias” na tentativa de aproximação à sociedade, e agora vemos o quanto é necessário se Comunicar bem (que não é apenas uma questão de marketing), quanto precisamos cultivar uma identidade (Propósito, Princípios) diante da nossa grave crise de identidade. Também tenho confiança de que a Chapa 2 aprendeu muito com os anos em oposição sindical, em processo de auto crítica. É muito mais fácil criticar sem viver a oposição, sem entrar em campo e fazer – os colegas que entraram em campo agora em 2015 percebem isso. Por fim, e talvez o mais importante, a visão Política da Chapa 2 (não de ideologias partidárias, que devem ficar fora do sindicato, mas de como deve ser tratado o poder sindical na relação DEN – filiado) me deixa confiante de que estes colegas são os mais aptos a abrir mão do hoje centralizado poder sindical, incentivar a participação dos colegas nas bases, como na Minuta de RI e por meio da necessária Revisão do Estatuto do sindicato – tudo isto respeitando a Democracia (dar voz a todo filiado) e a Res Publica sindical (o sindicato é de todos e não só dos que são do “grupo”). Saibam que se eleitos, não espero nada menos que isso!

11. À diretoria eleita, qualquer que seja, rogo que faça do próximo mandato uma transição de empoderamento do filiado, incentivo de instâncias materialmente democráticas e revisão do Estatuto do sindicato. E que promovam a aproximação entre o instrumento das redes sociais e das instâncias sindicais, ao invés de se apoiar num falso antagonismo que, de fato, faz do uso das redes sociais não inclusivo e em paralelo aos centros institucionais de deliberação, sob o argumento do “formalismo e ineficiência” do sindicato. Argumento este que nada mais é que ataque pessoal para desvincular centros deliberativos da coletividade de cada base local – o que hoje é feito em Assembleias, e que ainda não possui um paralelo virtual.

12. A quem interessa subtrair transparência, democracia e um mínimo de controle que daí derivam na coisa sindical?

Rodrigo Guerra, 09-nov-15

“DIRIJENTES” x REPRESENTANTES

dirijentes x representantes

“DIRIJENTES” x REPRESENTANTES

Aproveito o momento pré-eleitoral e a diminuição de mensagens nas redes sociais para “enfiar o dedo na ferida”. Adianto que não há crítica pessoal aqui, apenas espero que o MODO DE TRABALHO dentro de nossas instâncias sindicais aproveite a oportunidade que o momento atual oferece.

Vivemos num país cuja DEMOCRACIA ainda não é material. É comum um presidente eleito considerar que “ganhou” a eleição e isto lhe dá o “direito” de “dirigir” a sua BASE de eleitores. Mas o eleito, na verdade, é apenas um REPRESENTANTE. Aqui nasce uma diferença fundamental entre os anseios da BASE e o entregue pelos representantes eleitos, que por ser a BASE muito extensa, é virtualmente impossível saber o que cada indivíduo pensa.

Em nível nacional, tudo bem. Mas em nível sindical, por mais que o total de filiados seja 30.000 mas com +- 5.000 votando na eleição mais votada, entendo que esta barreira operacional caiu.

As REDES SOCIAIS facilitam enormemente a difusão de informação.

Todo processo deliberativo dentro do sindicato pode ser dividido em 4 etapas: [1] prospecção e difusão da INFORMAÇÃO; [2] DISCUSSÃO, iniciativa e desenvolvimento de PROPOSTAS; [3] DECISÃO e VOTO; [4] EXECUÇÃO e ACOMPANHAMENTO.

As REDES SOCIAIS dão um “turbo” em [1] e [2]. Agora, está aberta o que antes era concentração de INFORMAÇÃO e desenvolvimento de PROPOSTAS. Esta liberdade naturalmente assusta, especialmente porque as REPRESENTAÇÕES acabam sendo “gargalos” – visto que a BASE tem ampla vantagem em “mãos e cérebros” para circular a informação e discutir as propostas.

Aqui é que os eleitos sindicalmente se dividem em dois grupos, diante desta realidade inexorável: “DIRIJENTES” e REPRESENTANTES.

Os eleitos que não internalizaram a mudança, que não absorveram materialmente o novo regime democrático que vivemos, e vêem o cargo eletivo como “ganhei a eleição, e agora tenho o direito de ‘DIRIGIR’ por X anos”, estes deveriam comprar um carro e dirigí-lo! Afinal, pessoas não são veículos para serem “dirigidos” ou “guiados”. É uma visão ultrapassada, e até autoritária, num tempo onde está viável (mas ainda não estruturada) a ampla difusão da informação e comunicação multilateral. Os “DIRIJENTES” sindicais continuam apegados à hierarquia vertical rígida, e sentem as novas informações, discussões e propostas das BASES como ameaça ao “direito de mando adquirido nas eleições”.

Tudo ficará muito mais simples para as BASES e para os eleitos assim que estes mudarem o seu paradigma de atuação sindical, de “DIRIJENTES” querendo impor pensamentos de cima para baixo (e propagandeando a obediência a este comando de “união”) para REPRESENTANTES dos pensamentos e anseios das BASES.

Este abandono cederá espaço à material democracia, concretizada pelo cultivo e colheita dos anseios e propostas DAS BASES, a partir das quais devem orbitar os movimentos, mobilizações e campanhas sindicais.

Não há mais trava tecnológica para tanto.

O risco do momento atual, de novas tecnologias, é nos deslumbrarmos com estas e passar a crer que o simples uso delas (meios de comunicação, mas apenas meios), nos levará automaticamente para a Democracia Material, para o eleito REPRESENTANTE.

Oras, todo instrumento é um instrumento e nada mais. Tudo depende de se ter claramente o PROPÓSITO a ser perseguido (O QUÊ), algum PLANEJAMENTO (COMO), e assim escolher qual o melhor meio (Whatsapp? Facebook? E-mail? Telefone? Presencial?) e como melhor utilizá-lo neste contexto. Anos se passam, e a única constante milenar são os conflitos no relacionamento e interesses entre PESSOAS. Não pensem que isto mudará com novas tecnologias.

O que elas possibilitam é as BASES se organizarem e, se os eleitos não abraçam o paradigma de REPRESENTANTES, pelo menos as BASES podem se organizar e estabelecer marcos que balizem e limitem a atuação dos “DIRIJENTES”.

Assim, colegas, não se desesperem com a imensidão de pautas que nos cerca. O caminho para nós é justamente COMEÇAR. Um passo de cada vez. Há muitas unidades desenvolvendo projetos parecidos? Não tem problema, estamos começando muita coisa do zero, e a VIVÊNCIA da BASE na atuação sindical é algo que merece zelo constante. O movimento pela PEC443 pode ter sido uma “derrota” se visto apenas pela EA16 e DVS7, ou ser visto como uma vitória pela VIVÊNCIA e sentimento de GRUPO desenvolvidos pelos colegas, e carregados de volta para as BASES. Chega de deixar “cabeças flutuantes”. Em tempo, as diferentes experiências plurais que estamos desenvolvendo poderão ser comparadas, afinadas, e se aproximarão, pois confio que temos todos (ou pelo menos a vasta maioria) o mesmo PROPÓSITO, que é a defesa do CARGO enquanto desdobramento do modelo de Estado Brasileiro (Constitucional de Direito e Democrático) que vivemos.

E se você leu até aqui, vai a principal “dica” de como conseguir REPRESENTAR uma base tão ampla e diversa: basta perseguir e colocar em pauta prioritária a CONSTRUÇÃO DE CONSENSOS. Temos tantos problemas evidentes, que isto não é difícil, e as práticas em torno deste propósito lançarão bases e estruturas utilizáveis a longo prazo na defesa de atribuições, garantias e prerrogativas do cargo (o que é a natureza da atividade sindical, e não seu ranço histórico que tanto desgasta a palavra).

É hora de FAZER!

PS: “Fico, assim, ao lado do William G. Ward, que acreditava que ‘o pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.’ De minha parte, ando a procura de gente que não se sente no barco dizendo que os marinheiros trabalham mal, sem nada fazer. O lirismo prático dos que ajustam velas tem-me sido mais simpático.” – Fernando Clemente