AS BOLHAS DE CONCORDÂNCIA E A ATIVIDADE SINDICAL

As Redes Sociais se fazem tão presentes em nosso dia a dia que para muitos já é difícil pensar passar o dia sem um aparelho mobile por perto. No ambiente sindical, os serviços desta plataforma oferecem especialmente rápida informação e espaços de conversa e discussão – o que é um ótimo propulsor da democracia. Entretanto, é preciso sempre ter em mente que as Redes Sociais são apenas mais um meio de comunicação, e que o propósito da comunicação é colocar pessoas em interação e não fazer do meio um fim em si.

No ambiente sindical, tudo gira em torno do princípio democratico e sua persecução (sempre voluntária) ou sua violação (voluntária ou involuntária).

Não somos naturalmente democráticos; pelo contrário, ainda mais em nosso meio, é muito frequente termos “certezas” e buscarmos sua implementação antes de circular a informação / ideia / proposta entre todos os pares, de modo realmente democrático.

Daí nasce o principal vício de se priorizar o meio de comunicação redes sociais ao invés de se priorizar os princípios que devem informar um instrumento de comunicação. Em especial o princípio democrático – do qual o livre acesso à informação e discussão, que chamo de “princípio da acessibilidade da informação”, é apenas um (importante) precursor lógico. Se hoje existe uma distorção de poder em função de quem “pauta” a comunicação e o acesso à informação e produção de proposta sindical e em ambientes presenciais de comunicação (assembléia, plenária, cds, etc), os mesmos problemas podem acontecer via redes sociais – apenas de maneira “descentralizada” e online.

Por um lado as redes sociais permitem que todos conversem com todos em tempo real, por outro também permite que alguns bloqueiem / façam grupos / excluam outros de seu convívio diário com quase nenhum esforço. Observar que ao fazer um grupo, automaticamente se exclui quem não é / está no grupo. Se faço um grupo dos homens, automaticamente excluí todas as mulheres – daí a natureza também excludente de grupos, apesar de não evidente.

Ao proceder desta maneira, de um momento para outro começam a se formar grupos (fragmentos) dentro da coletividade, em que os discursos e teses defendidas guardam afinidade cada vez maior, mas não são TOLERADOS pensamentos divergentes. Aí mora o perigo das redes sociais, pois é muito confortável ter um grupo que apenas concorde com a sua visão de mundo, e assim os diferentes grupos de “paz interna” passam uma nociva impressão de que não existem tensões.

As tensões no ambiente democrático, evidentemente incômodas (e das quais talvez a maior e mais incômoda tensão seja a campanha eleitoral), são também altamente úteis e necessárias. São como um corte no dedão, que dispara a dor, nos forçando ao cuidado imediato. Ao evitar a dor e não tratar do ferimento, agrava-se o problema por descuido. As Redes Sociais, quando usadas (voluntaria ou involuntariamente) a segregar e criar estas verdadeiras bolhas de concordância, agem da mesma maneira entorpecente, induzindo um senso de conforto e segurança quando deveria haver constante reflexão crítica e ação para manter o todo materialmente coeso, apesar das tensões internas.

Neste momento pós PEC443 e DVS7 em que presenciamos uma diminuição do ritmo, é essencial evitar as bolhas de concordância, especialmente agora que já estamos sob efeito das eleições.

E esta visão precisa ser aplicada em cada atuação sindical, em cada frente de trabalho, seja local ou nacional, como condição para futura harmonização de diferentes e numerosas iniciativas em diferentes bases, apesar de toda diferença (ou melhor dizendo, diversidade) de visões que compõem nosso quadro de investidos no cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil.

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