“DIRIJENTES” x REPRESENTANTES

dirijentes x representantes

“DIRIJENTES” x REPRESENTANTES

Aproveito o momento pré-eleitoral e a diminuição de mensagens nas redes sociais para “enfiar o dedo na ferida”. Adianto que não há crítica pessoal aqui, apenas espero que o MODO DE TRABALHO dentro de nossas instâncias sindicais aproveite a oportunidade que o momento atual oferece.

Vivemos num país cuja DEMOCRACIA ainda não é material. É comum um presidente eleito considerar que “ganhou” a eleição e isto lhe dá o “direito” de “dirigir” a sua BASE de eleitores. Mas o eleito, na verdade, é apenas um REPRESENTANTE. Aqui nasce uma diferença fundamental entre os anseios da BASE e o entregue pelos representantes eleitos, que por ser a BASE muito extensa, é virtualmente impossível saber o que cada indivíduo pensa.

Em nível nacional, tudo bem. Mas em nível sindical, por mais que o total de filiados seja 30.000 mas com +- 5.000 votando na eleição mais votada, entendo que esta barreira operacional caiu.

As REDES SOCIAIS facilitam enormemente a difusão de informação.

Todo processo deliberativo dentro do sindicato pode ser dividido em 4 etapas: [1] prospecção e difusão da INFORMAÇÃO; [2] DISCUSSÃO, iniciativa e desenvolvimento de PROPOSTAS; [3] DECISÃO e VOTO; [4] EXECUÇÃO e ACOMPANHAMENTO.

As REDES SOCIAIS dão um “turbo” em [1] e [2]. Agora, está aberta o que antes era concentração de INFORMAÇÃO e desenvolvimento de PROPOSTAS. Esta liberdade naturalmente assusta, especialmente porque as REPRESENTAÇÕES acabam sendo “gargalos” – visto que a BASE tem ampla vantagem em “mãos e cérebros” para circular a informação e discutir as propostas.

Aqui é que os eleitos sindicalmente se dividem em dois grupos, diante desta realidade inexorável: “DIRIJENTES” e REPRESENTANTES.

Os eleitos que não internalizaram a mudança, que não absorveram materialmente o novo regime democrático que vivemos, e vêem o cargo eletivo como “ganhei a eleição, e agora tenho o direito de ‘DIRIGIR’ por X anos”, estes deveriam comprar um carro e dirigí-lo! Afinal, pessoas não são veículos para serem “dirigidos” ou “guiados”. É uma visão ultrapassada, e até autoritária, num tempo onde está viável (mas ainda não estruturada) a ampla difusão da informação e comunicação multilateral. Os “DIRIJENTES” sindicais continuam apegados à hierarquia vertical rígida, e sentem as novas informações, discussões e propostas das BASES como ameaça ao “direito de mando adquirido nas eleições”.

Tudo ficará muito mais simples para as BASES e para os eleitos assim que estes mudarem o seu paradigma de atuação sindical, de “DIRIJENTES” querendo impor pensamentos de cima para baixo (e propagandeando a obediência a este comando de “união”) para REPRESENTANTES dos pensamentos e anseios das BASES.

Este abandono cederá espaço à material democracia, concretizada pelo cultivo e colheita dos anseios e propostas DAS BASES, a partir das quais devem orbitar os movimentos, mobilizações e campanhas sindicais.

Não há mais trava tecnológica para tanto.

O risco do momento atual, de novas tecnologias, é nos deslumbrarmos com estas e passar a crer que o simples uso delas (meios de comunicação, mas apenas meios), nos levará automaticamente para a Democracia Material, para o eleito REPRESENTANTE.

Oras, todo instrumento é um instrumento e nada mais. Tudo depende de se ter claramente o PROPÓSITO a ser perseguido (O QUÊ), algum PLANEJAMENTO (COMO), e assim escolher qual o melhor meio (Whatsapp? Facebook? E-mail? Telefone? Presencial?) e como melhor utilizá-lo neste contexto. Anos se passam, e a única constante milenar são os conflitos no relacionamento e interesses entre PESSOAS. Não pensem que isto mudará com novas tecnologias.

O que elas possibilitam é as BASES se organizarem e, se os eleitos não abraçam o paradigma de REPRESENTANTES, pelo menos as BASES podem se organizar e estabelecer marcos que balizem e limitem a atuação dos “DIRIJENTES”.

Assim, colegas, não se desesperem com a imensidão de pautas que nos cerca. O caminho para nós é justamente COMEÇAR. Um passo de cada vez. Há muitas unidades desenvolvendo projetos parecidos? Não tem problema, estamos começando muita coisa do zero, e a VIVÊNCIA da BASE na atuação sindical é algo que merece zelo constante. O movimento pela PEC443 pode ter sido uma “derrota” se visto apenas pela EA16 e DVS7, ou ser visto como uma vitória pela VIVÊNCIA e sentimento de GRUPO desenvolvidos pelos colegas, e carregados de volta para as BASES. Chega de deixar “cabeças flutuantes”. Em tempo, as diferentes experiências plurais que estamos desenvolvendo poderão ser comparadas, afinadas, e se aproximarão, pois confio que temos todos (ou pelo menos a vasta maioria) o mesmo PROPÓSITO, que é a defesa do CARGO enquanto desdobramento do modelo de Estado Brasileiro (Constitucional de Direito e Democrático) que vivemos.

E se você leu até aqui, vai a principal “dica” de como conseguir REPRESENTAR uma base tão ampla e diversa: basta perseguir e colocar em pauta prioritária a CONSTRUÇÃO DE CONSENSOS. Temos tantos problemas evidentes, que isto não é difícil, e as práticas em torno deste propósito lançarão bases e estruturas utilizáveis a longo prazo na defesa de atribuições, garantias e prerrogativas do cargo (o que é a natureza da atividade sindical, e não seu ranço histórico que tanto desgasta a palavra).

É hora de FAZER!

PS: “Fico, assim, ao lado do William G. Ward, que acreditava que ‘o pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.’ De minha parte, ando a procura de gente que não se sente no barco dizendo que os marinheiros trabalham mal, sem nada fazer. O lirismo prático dos que ajustam velas tem-me sido mais simpático.” – Fernando Clemente

6 comentários sobre ““DIRIJENTES” x REPRESENTANTES

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